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Horas Vivas

As horas caminham lentas pelas paredes. Arrastam-se pelo chão. Horas vivas infecciosas. Infectaram-me com a noção do tempo: segundo a segundo.

O relógio digital sobre a mesa. Relógio analógico no pulso. Marca as horas o computador. Marca o tempo o relógio da Praça do Ferreira.

Penso em me livrar deles, mas como? Minha mãe liga para mim às 9 horas da manhã, meu irmão às 11 e meia, e uma sucessão de amigos com hora marcada me impõe a dependência de um instrumento medidor de tempo. Dou um basta nos “amigos-tic-tac”?

Esqueço o relógio em casa propositalmente, inclusive o celular. Caminho, caminho. As horas passam, não passam... Pergunto as horas a um passante sem relógio: agora somos dois escravos do tempo perdidos no próprio tempo à procura de alguém com um relógio!

Enfim, as horas: são 15:47. Volto para casa e pelo caminho tenho alucinações temporárias com imagens de ponteiros, números – relógios.

Estou sempre esperando... faltam 5 minutos, faltam 3 minutos, 1 minuto, 30 segundos, 1 segundo... está na hora e nada acontece.

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