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Ponderação

Eu mesma construí os trilhos

Precários, frouxos

Por onde andei

Em busca de novas paisagens

Quantas vezes eu cheguei!

Tantas vezes parti!

E um pouco de minha alma deixei

Nos lugares que percorri

Trouxe comigo cada vez mais bagagem

Suvenires imateriais

De cada viagem

Lembranças, pequenas alegrias

Momentos memoráveis

De sons, cheiros e cores

Nada conquistei

Nem riquezas acumulei

Mas o importante é que encontrei

Não no fim do caminho

Mas na própria andança

O eu que andava perdido

Em mim desde criança

Oh às vezes escrevo

Como uma velha senhora

Sentada na cadeira de balanço

Espiando da varanda um passado

De (des)encantos

Quando na verdade é apenas

O primeiro balanço

Das décadas que vivi

Não foi tudo perfeito

Mais foi o que eu consegui

E se hoje sou mais feliz

Foram os trilhos precários

Frouxos, por onde andei

Que me trouxeram até aqui.

4 comentários:

maria josé quintela disse...

a maior riqueza que se pode conquistar é o encontro connosco próprios.


um beijo.

Pedrita disse...

trilhos me lembraram um poema da hilda hilst, tu não te moves de ti. adoro trens, adoro trilhos, adorei o poema. beijos, pedrita

Ana disse...

Escreves como quem sente, abrindo novos trilhos a quem te lê.
Um beijo.

Déynha Pinheiro disse...

Escrever é também recordar aquilo que ontem fomos e o que hoje somos,todos nós estamos nesse trilho.Parabéns pelo poema!