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Solidão Amazônica


A solidão amazônica é úmida
Molha-nos o corpo de suor
Molha-nos o corpo de chuva
É tão verde a solidão da mata
É tão cinza a dor do céu chuvoso
É tão profundo o segredo guardado
No leito do rio
A solidão amazônica anda descalça
Pisa areia quente e encontra as águas mornas
Do rio, do amor ou de si mesma.
Entre aguapés se esconde a dor do amor
Na imagem de uma vitória-régia
No topo da sumaúma talvez
No canto do uirapuru
A solidão amazônica desliza triste
Feito barco de pescador
Feito carícias lânguidas depois do amor
No meio da mata cerrada
Brota a semente encantada
Dos sonhos ribeirinhos
A ornar a madrugada
A solidão amazônica descansa
No olhar do boto-cor-rosa
Sobre um rio de águas caudalosas.

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