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No Chão

Costumo jogar as coisas no chão
Parecem mais próximas
Camisas, sapatos, amor e solidão.

Sinto a face contra o chão

Finge-se de morta a vítima
O diário, a caneta, desprezo e paixão.

Vez ou outra eu organizo a cabeça
Limpo a superfície escura
Para que ao sentir o sol o verso apareça.

E deito no chão quieta feito cobra, nua
Para guardar o pensamento-pérola numa concha.

Completamente muda.

6 comentários:

denise perfil 2 disse...

Só o amor que eu acho que você - nem ninguém - devia jogar no chão.
Amor é coisa muito preciosa.
Deve ficar guardado num lugar muito especial, porque não no seu coração?

Adriana Costa disse...

Neste poema, há uma inversão da minha relação com estado das coisas. Pois se jogo as coisas pelo chão, também sinto-as mais próximas nesta situação... Como se visse o mais banal e os sentimentos mais fortes embaralhados e confusos diante de uma lente maluca... mas eis que limpo a superfície, faço versos e guardo, em meio ao silêncio do ambiente, quem sabe o amor numa concha que se chama coração.

Adriana Costa disse...

Beijos e obrigada pela visita, querida Denise! @>--

Helio Jenné disse...

É o momento de transmutar sentimentos! Muito bom, Adriana! Beijão.

Humberto Firmo disse...

é essa coisa da gente sair de um ventre, mas sempre guardar a lembrança dele numa posição fetal.

Muito bom isso.

Pavitra disse...


joga-se tudo no chão
e os versos ficam aos nossos pés... (e mãos!)

p.s. de vez em quando dou essas viajadas, mas é pq adorei seu poema! :)