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Noite Urbana

É noite e a cidade está cansada
De homens e mulheres cansados
A urbe impede-os de ver as estrelas

Enquanto o universo é vasto.
Durante a noite, a noite não dorme
E é possível ouvir os gemidos
Os sentimentos mudos
A despeito do alarido.
Na escuridão não se vê a fome
E a fome não deixa dormir
O olhar é um brilho úmido
Na escuridão. Imagem
Tão familiar, de desconhecidos
Como córrego de águas escuras
Acostumados a entorpecer
Sobre a calçada pútrida.
Os pulmões negros
A aspirar a brisa
Carregada de fumaça
quente; a brisa fria.
Fecham-se os olhos tristes
dos velhos apartamentos
A porta-língua não diz
adeus aos companheiros.

4 comentários:

douglas D. disse...

teu blog tá muito, muito bonito!

hfm disse...

Gostei muito de ler.

Bruxinhachellot disse...

Uma sensível poesia urbana. Distintas faces da noite.

Beijos de bosques.

Klatuu o embuçado disse...

Gostei tanto do que li por aqui que lhe enviei um Convite.