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Abre Aspas "Douglas Dias"




tuas mãos têm a idade do medo
trancadas por dentro da fé
colecionam quinquilharias
limpam a poeira dos quadros
viram as páginas dessa história
envelhecendo de hora em hora
apegadas ao que ficou preso
nas cores dum outro entardecer


são feitas de misericórdia, as tuas mãos
atiram esmolas aos pedintes
acenam esperança aos moribundos
conduzem à luz os desesperados
alimentam pacientemente os enfermos
estancam o fluxo nervoso da dor
mas não sabem afagar os anjos
que escapam do céu ao anoitecer

(és o deus que me vigia
os passos
o bufão que me perdoa
os erros
a mentira que me preserva
a sanidade
o sopro de loucura que me suspende

a vida)
Douglas Dias
Poeta paraense.
Douglas D. pode ser lido em Da natureza dos sonhos, Vomitando Imagens, Deus e outros escombros, Amores Fúnebres, Retraços, Eu, espantalho, Memórias Baldias, Rascunhos em Tons de Brevidade e Silêncio e Destripando Sons.

Conheci a poesia de Douglas Dias ainda em 2005 quando criei meu primeiro blog - Fábrica de Poemas - e entre as minhas idas e voltas com blogs e outras páginas, nunca deixei de visitar os seus blogs porque possuem uma força poética que me encanta pela beleza das imagens, pela precisa escolha das palavras sentidas, além da beleza das ilustrações de suas postagens. Desconheço a biografia deste maravilhoso poeta, por isso, deixo apenas estas breves palavras e esta contribuição para a blogagem coletiva Abre Aspas.

11 comentários:

acqua disse...

Uma das coisas que está me fascinando nessa blogagem é a possibilidade de descobrir novos poetas. Grata por sua participação tão singular. Abraços meus

Pedrita disse...

nossa, como as mãos envelhecidas gostam de guardar quinquilharias. amei o poema e incrível como o li na hora certa, em que pensava sobre esse assunto. beijos, pedrita

Milouska disse...

Não conheço o autor, mas gostei do poema, cujo tema são as mãos.
No meu cantinho também publiquei dois poemas de autores representativos portugueses sobre o mesmo assunto.
Também gostei muito das imagens.
Parabéns!
Um abraço,

Milouska

tita coelho disse...

Adriana,
Não conhecia ele, passei a conhecer e vou visitar os seus escritos!
Beijos

Espaço Mensaleiro disse...

Parabens!

Gostei muito.

Abraços

Eliana Alves

Vanessa disse...

Bendita blogagem coletiva. Não fosse este evento eu passaria em branco sem conhecer um poeta como este. Obrigada pelo texto.

Abraço.

luzdeluma disse...

Obrigada pela apresentação, eu não conhecia!! Sempre ouvi dizer que as mãos denotam a idade, mas nunca associei ao medo. Mas é isso, será que alimentamos o medo conforme vivemos? Ou como dizem, o medo nos protege e por isso cominha junto de nós? Adorei!! Beijus

Flor ♥ disse...

Belo poema de um poeta ainda mais belo! Obrigada pela divulgação!

Que bom que essa blogagem coletiva nos permitiu conhecer tanta beleza!!!

Bjs.
Flor ♥

dácio jaegger disse...

Ah, como é necessário um poeta para nos dizer das mãos, a mais importante extensão da alma. Obrigado pelo poeta Adriana. Boa semana. Abraço

evipensieri disse...

Oi Adriana.

Também estou participando da blogagem e vim ler o seu post.

Muito bom...

Bjs.
Elvira

Madalena Barranco disse...

Adriana, ao ler o poema de Douglas Dias (que eu não conhecia e adorei sua apresentação) eu tive a impressão de "ouvir" o poema declamado pelo altar de um coração livre e transbordante de amor... Que lindo! Vou ao blog dele.

Beijos e muito obrigada pelo seu comentário em meu bloguinho Flor de Morango.