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A praia


Cidade quente e uma nuvem ou outra molha as folhas das árvores

Com suaves respingos que não chegam a ser chuva

A brisa do mar chega já esmorecida, quase imperceptível

As almas em ebulição, perdidas

Rastros de luta interna sob as sombras das árvores

Fortes vagas arrastam o corpo morto, pesadelo

Enquanto crustáceos devoram as sobras de sonhos na areia

A tarde está nublada e ameaça chover contradições

Amores que a tempestade de ontem despedaçou

E as palavras são folhas pisadas no chão

O vento numa carícia maliciosa revela o corpo sob o vestido

Árvore que não dá frutos, não alimenta, desatenta e desalenta

Mãos-raízes cravadas no chão num desejo

De deixar a vida escorrer para desaguar no mar

Gotas de suor na testa

A ventania levou a esperança para outro lugar

A praia ficou vazia de amor e de medo

2 comentários:

Usuale disse...

Soneto do Amor

Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real e que contudo
Eu já não cria que existisse mais.

Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno, interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo...

E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.


Autor: (Vinícius de Moraes)

Foi retirado pelo site:

http://www.ziipi.com/result?pesquisa=poesia+de+amor

Oliver Pickwick disse...

Trágico, mas nem por isso menos belo. O impacto e a criatividade de cada verso é marcante.
Um beijo!