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Carnaval de 2006

Lá fora os sons do carnaval
Calam a mais sombria tristeza
Pierrô e Colombina dançam
No salão entre serpentinas

A fantasia está na rua
E salta e brinca e sorri
As bocas se beijam
E bebem muita cerveja

Hoje os brincantes
Só querem te levar
Para o meio da festa
Fantasiado de alegria

E você neste quarto
Fingindo não ouvir
Que a canção toca
O seu coração

Você não se maquila
E nem sorri para o espelho
Nem pega na mão dos mascarados
Para dançar no salão

Não distribui beijos
Aos passantes bêbados
Nem canta o verso
Mais alto que o companheiro

É carnaval e você
Vai dormir pesadelos
Pois na sua avenida
Espectros desfilam

Assombram sua alegria
Que fugiu com Arlequim
E está num bloco qualquer
De um carnaval que não é seu.

4 comentários:

tita coelho disse...

Gostei da poesia Adri!
Saltitante ela... Bem carnaval!
Beijos

Oliver Pickwick disse...

O carnaval mais alegre é o que está dentro de nós. Nenhuma festa, por si só, é capaz de fabricar alegria.
Um beijo!

acqua disse...

Mesmo não sendo fã de carnaval, gostei da sua poesia. Lembrou-me aquela canção "mas é carnaval não me diga, mas quem é você? Amanhã tudo volta ao normal"... Do Chico.
Beijos daqui

Arnaldo Norton disse...

Em oposição aos anteriores comentários, considero o poema pleno de tristeza, quase um hino à solidão.Quase dói... Mas belo,sem dúvida, como tudo o que escreves, minha querida amiga.
Um beijo.